Duas actrizes geniais um realizador fantástico prometem uma grande história...
O Cinema é a pura arte que não se explica, é o culminar da perfeição, é por excelência a magia de poder sentir o impossível!
quinta-feira, setembro 11
segunda-feira, agosto 18
Dead of a SuperHero (2011)
A morte tem o poder de mudar a vida.
Dead of a Superhero é a história de um rapaz com "prazo de validade" a expirar. Tal como todos os adolescentes tem pais preocupados e pesarosos. É nesta aventura de banda-desenhada que Donald vai embarcar e perceber que apesar da sua vida correr num fio e não numa estrada, o balanço entre a vida e a morte pode ser o principio de uma surpreendente história.
A realização está estrondosa, e o argumento cativante a cada diálogo, existe um poder magnético entre as personagens, existe um espírito de esperança vaga e ambígua que se protege com o desconhecido, existe um invólucro de consciência amarga que não deixa respirar o alivio. Não é uma história de amor, não é uma história de vitória, não é um drama veloz, é a realidade de alguém que conhece o inevitável e caminha para a sua própria aceitação, procurando não sofrer com o medo.
A interpretação de Andy Serkins é mágica, que juntamente com Thomas Brodie-Sangster torna toda a narrativa numa marcante viagem à história de muitas realidades.
Alguns heróis são ingénuos, acreditam que na verdade o inevitável é impossível, os outros heróis diferentes, confrontam o inevitável com a aceitação impossível.
"Life is a sexually transmitted disease, spread by people having sex. And then in the end it kills you." - Donald Clarke
The Imitation Game
Depois de umas temporadas de cinema horripilante, dois dos melhores actores da actualidade (Benedict Cumberbatch e Keira Knightley) numa história que promete ser magnifica. Esperemos que o realizador (Morten Tyldum) e argumentista (Graham Moore - 10 Things I Hate about You) estejam à altura.
domingo, julho 20
Aritmética Vindicta - Parte F
Petra e Salvador estiveram longas semanas no
hospital, mas tudo funcionou como deveria ser. Vitória começava a sentir ciúmes
doentios dos dois amigos, não conseguia controlar os seus instintos, e a
amizade começou a corroer.
Petra e Salvador encontravam-se no café da esquina
sem o conhecimento de Vitória: - Eu não percebo porque é que ela está assim… -
Afirmou Petra com alguma melancolia. – Eu não devia ter aceitado a tua
proposta. – Não sejas parva! Eu fiz o que tinha de ser feito, és minha amiga, e
precisavas de ajuda, essa é a minha missão. – Petra sorriu inocente para
Salvador, e ele sentiu-se reconfortado, incomodamente reconfortado, ele
apercebeu-se de algo desconfortável, estava apaixonado, e ela não estava assim
tão interessada.
Vitória observava-os de longe pelo vidro do café,
criou dentro de si uma raiva impetuosa, e também descobriu algo perturbador,
ela já não era Vitória, era uma mulher diferente, uma mulher escondida na mente
apaixonada daquela que tinha nome de feliz resolução. – Eu vou destrui-los! –
Exclamou a voz da segunda personalidade.
A oficial namorada de Salvador não sabia que entre
eles não havia nada, a sua mente doente e inconsciente da existência de duas
personalidades no mesmo ser, preparou uma vingança doentia.
Salvador foi até casa de Vitória, ela aguardava-o
pacientemente. – Olá Vi! – Olá…. – Que se passa contigo? – Salvador detectou
uma diferença no tom de voz. – Nada. – Conforme Salvador se curvou para a
beijar, Vitória espetou-lhe uma seringa no pescoço e ele cai instantaneamente
no chão, agora só tinha de lhe apagar a memória, e continuar a ser a única
mulher na vida dele.
Ligou para a casa da amiga, Petra atendeu o telefone:
- Estou! – Petra? – Perguntou Vitória num tom assustado. – Sim! Vi? Diz! Que se
passa? – Petra ficou verdadeiramente alarmada! – Vem depressa! O Salvador
desmaiou na minha sala! Preciso de ajuda para o levar para o hospital! – Vou
já! – Petra largou o telefone e correu até casa de Vitória. Viu a porta
encostada e entrou sem questionar. – Vi? – Petra procurava a amiga, até que
encontrou Salvador no chão, conforme pensou em caminhar para ele, Vitória
agrediu-a violentamente, Petra caiu no chão e Vitória esfaqueou-a no peito.
Petra teve morte imediata.
Salvador sentia os olhos pesados, e a confusão
atingiu-o, abriu as pálpebras vagarosamente e viu Vitória: - Estás bem amor? –
Salvador expressou intriga e perguntou: - Quem és tu? – Vitória sorriu e
perguntou: - Não te lembras de mim?
Fim(?)
Aritmética Vidicta - Parte E
Petra era estudante de medicina, Vitória era
estudante de arquitectura. Elas eram inseparáveis, completamente dependentes
uma da outra. Salvador era vizinho de Petra, namorado de Vitória, estudante de
medicina.
Petra era uma jovem divertida, sociável e
irreverente, Vitória era sossegada, reservada e conformista. Os três viviam em
perfeita comunhão, não havia nada nem ninguém que os conseguisse separar, até
ao dia em que Petra adoeceu, e Salvador não conseguiu resistir.
Petra sofria de insuficiência renal crónica desde os
20 anos, não tinhas grandes prespectivas de encontrar um dador, e sonhava
viajar, mesmo que soubesse que não iria conseguir. Num tímido dia de Outono os três
conversavam no alpendre da casa de Vitória, Salvador falava do seu último
heroico acto, da forma como salvou um doente com uma transfusão do seu próprio
sangue, AB-. – Olha esse é o meu tipo de sangue! – Reagiu Petra entusiasmada. –
A sério? – Salvador ficou surpreendido, como é que era possível conhecerem-se
há tanto tempo e não saberem o tipo de sangue uns dos outros? Salvador teve um
laivo de loucura e ponderou no interior do seu ser: Será que somos compatíveis?
A tarde fluiu, a noite passou e o dia seguinte foi de investigação clínica.
Salvador estagiava no mesmo local onde Petra fazia os tratamentos, conseguiu o
sangue dela com facilidade e fez os testes que precisava, descobriu que ele
seria o dador perfeito.
Petra e Vitória rejeitaram a ideia de Salvador, mas a
insistência do jovem convenceu-as. O dia da cirurgia chegou, a anestesia fez
efeito sobre Salvador, não se lembrava da cirurgia, lembrava-se de Petra,
queria saber como ela estava, queria vê-la, Vitória começou a sentir ciúmes,
Petra não sentia nada para além das dores da cirurgia, o destino começou a
tecer as suas malhas.
segunda-feira, junho 23
Aritmética Vindicta - Parte D
- Como é que… - Eu viu-o a tocar à campainha, estava
à janela. – A rapariga não parava de sorrir. – A sua mulher não sabe que está
aqui, pois não? – Salvador olhou para aquela que parecia ser irremediavelmente
a mulher que o assombrava de todas as formas possíveis, e respondeu: - Não. – Eu
pergunto-me porquê… - Uma intensa troca de olhares carregou o saturado ambiente
do carro. Salvador tinha a estranha sensação que já a conhecia, o olhar dela
era-lhe familiar, subitamente o desejo deu lugar à saudade, o sentimento
indiscritível em qualquer outra língua ou dialecto, preencheu-o por completo, o
médico sentiu-se preso em si próprio e respondeu às reticências: - Eu sei que a
conheço, mas não sei de onde. – Petra riu-se com uma estridente gargalhada, e
respondeu: - Você é muito mau nisto! Outra resposta e provavelmente já
estaríamos a embaciar os vidros do carro! Mas com essa afirmação vou para casa
jantar, porque tenho fome. – Petra saiu do carro a rir-se, como se o que Salvador
tivesse dito fosse amplamente ridículo. O médico perseguiu-a com o olhar, ligou
o motor do carro e regressou a casa.
Salvador tentou abrir a porta da garagem, contudo não
conseguiu. O comando tinha avariado, deixou o carro na rua e dirigiu-se para a
porta. Enquanto caminhava, sentiu arrepios e passos atrás de si, quando tentou
virar-se para perceber o que se passava, sentiu um braço a apertar-lhe o
pescoço e um pano a cobrir-lhe a boca, deixou de ver, deixou de ouvir,
adormeceu. Acordou deitado na sua cama, amarrado e amordaçado, aos seus pés
estava Vitória, um homem velho e um novo. Assim que se apercebeu que o marido
tinha acordado Vitória aproximou-se a chorar, dizendo: - Salvador, tens de
parar com isto! Ela morreu há anos! Tens de a esquecer, ou vamos continuar a
viver assim! – Salvador não entendia o que isto queria dizer, o homem novo
preparava uma seringa com um conteúdo amarelado, o homem velho dirigia-se para
ele. O pânico do médico crescia exponencialmente até que o líquido mistério o
adormeceu, aos poucos, Salvador foi esquecendo. Petra ficou adormecida na
memória, esquecida, mas por mais quanto tempo?
Yves Saint Laurent
O nome que mudou a alta costura feminina.
Yves Saint Laurent é o costureiro que tornou a mulher mais forte e simultanemente sensual, com as suas linhas masculinas e lineares, cores garridas, assimetrias e texturas marcantes.
Jalil Lespert é um realizador novo e que arrisca dirigir um filme sobre a vida de um homem revolucionário e contorverso no mundo da moda. Como resultado tem uma produção com um argumento pouco dinâmico e cativante, mas com interpretações marcantes. Com uma fotografia tímida mas inteligente, subtil e sublime.
A genialidade deste homem é retratada de uma forma detalhada e marcante, mas que não consegue envolver o espectador, existem momentos em que o costureiro é reduzido a um homem fútil, lunático e desiquilibrado, em que Pierre Bergé assume um papel determinante no seu negócio e progessão do seu talento.
A obra poderia ter caminhado mais alto, no entanto, ficou-se por uma banal longa metragem, com pormenores irrelevantes e momentos constrangedores.
Yves Saint Laurent foi uma figura marcante na alta costura, mas esta pelicula não consegue acrescentar interesse na biografia deste homem, que com certeza teria muito mais para revelar ao mundo.
sexta-feira, junho 13
Aritmética Vindicta - Parte C
Salvador passou o dia intrigado, suspirando a cada
esquina dos corredores doentios do hospital, quem seria Petra? Era a pergunta
que o perseguia, ou melhor, era ele que perseguia a pergunta, na realidade
somos nós que criamos as questões, e tal como uma mãe persegue um filho, nós
perseguimos as nossas próprias questões. A noite caiu e ele teve de regressar a
casa, assim que pôs a chave na estreita fechadura, ouviu o som abafado dos
chinelos de Vitória, a sua mal amada e esquecida mulher, aquela que por força
do amor e do dever ocupou todo o seu tempo a cuidar da casa. - Olá amor! –
Disse a encantadora voz aguda, daquela que poderia ser a melhor esposa de
sempre. – Olá querida, como foi o teu dia? – Vitória aguardava ansiosamente
todo o dia por aquele momento, os minutos que o marido dedicava a ouvir detalhadamente
cada episódio emocionante do seu dia. Salvador nunca ouvia o que a mulher
dizia, aguardava pacientemente que ela terminasse para que se pudesse sentar a
jantar silenciosamente com os seus incompletos pensamentos. Desta vez sentia-se
ridicularizado, mas atraído, frustrado, mas interessado. Dificilmente
conseguiria equilibrar o que sentia, a nuvem turva de fascínio e indignação não
permitiam que o fizesse. – Está tudo bem querido? – Perguntava Vitória
preocupada. – Está. Estou apenas cansado, preciso de me deitar cedo. – Vitória
sorriu, beijou a testa do marido e acariciando-lhe o rosto. – Então vai. Eu
trato disto. – Salvador beijou calorosamente a mulher, pensando que tinha a
maior sorte do mundo em tê-la encontrado, no entanto, Petra não abandonava o
seu pensamento.
Salvador estava sentado numa poltrona no seu quarto,
repousava a mente e o espirito. Quando finalmente se encontrava na penumbra
entre o sono e a realidade ouviu uma voz sussurra-lhe ao ouvido: - Rua Porto
Venâncio, nº 43. – Salvador acordou sobressaltado. Porque estaria ele a
recordasse da rua onde vivia enquanto criança? Ele morava no número 33 e não no
número 43. No seu interior sentiu uma impetuosa vontade de caminhar até ao nº
43, era só meia hora de carro. – Querida tenho uma urgência. – Mas… - Eu venho
cedo! – Salvador antecipou-se à intervenção da mulher, ela não discutiu, ela
não argumentou, remeteu-se ao silêncio e continuou o seu trabalho de doméstica.
Salvador dirigiu o carro a uma velocidade
vertiginosa, não se conseguia controlar, o seu lado racional murchou, deixando
espaço para florescer aquilo a que chamamos emoção, não havia explicação
lógica. Estacionou o carro quase em frente ao nº 43 e correu até lá. Tocou à
campainha, esperou, não sabia o que iria encontrar, não sabia o que dizer. Foi
assaltado por um momento de lucidez e correu novamente para o carro,
espreitando quem viria abri-lhe a porta. E lá estava ela, Petra, a mulher
mistério era sua vizinha desde sempre. Teve medo de sair do carro, teve receio
de falar, assim que ela fechou a porta ele suspirou de alívio, colocou a cabeça
em cima do volante, e fechou os olhos, manteve-se assim por tempo
indeterminado. Finalmente saiu da posição de repouso, e apercebeu-se que alguém
tinha entrado para o banco de trás, assim que desviou o olhar para desvendar o
mistério, viu-a novamente, Petra. – Olá boa noite! O que faz por aqui? –
Salvador olhou para ela assustado. Naquele momento sentiu-se louco. Estaria?
quinta-feira, junho 12
Penny Dreadful - Season 1
O vértice que funde o terror ficticio ao real.
Penny Dreadful é a combinação mais improvável de
realização e produção, já para não mencionar o complexo encontro de actores tão
distintos.
John Logan tem um projecto ambicioso e que facilmente pode cair
no precipício do ridículo. Sam Mendes abraça um estilo que não é o seu, o que
facilmente o pode penalizar. O resultado é dificilmente aquilo que um
espectador mais atento espera, o sucesso.
O argumento é uma teia de intriga tremendamente viciante, de tal forma que nunca consegue perder a
intensidade, este é o departamento de Logan, que se resume a uma misera
palavra; perfeito. A direcção ainda não encontrou um ponto de equilíbrio,
notam-se as diferenças de estilos. J.A. Bayona sobressai com maior evidência,
no entanto, James Hawes também se consegue "fazer ver", tal como Dearbhla Walsh, mais discreta fica
Coky Giedroyc. A fotografia tem de ser destacada com as honrosas presenças de
Xavi Gimenez, Owen McPolin e P.J. Dillon, especialmente o último, que tem um
trabalho mais discreto, mas igualmente fabuloso aos anteriores.
Sheila Hockin é (na minha opinião) uma das melhores produtoras de
televisão, envolvida em projectos diversificados, intensos e polémicos, sem
dúvida que se torna um membro essencial.
Depois de estudar ao pormenor toda a equipa técnica de Penny Dreadful,
agora voltemos a câmara para quem a reconhece de frente, os actores. Timothy
Dalton tem-se dedicado nos últimos anos (com maior intensidade) ao cinema de animação, regressa à
televisão com um complexo papel que promete muito mais do que aquilo que até
agora se tem visto, aguardemos. Josh Hartnett é um actor conhecido pela sua
versatilidade e constante mudança, não é um actor a que possamos atribuir um
estilo, não tem zonas de conforto. Em Penny Dreadful apresenta uma personagem misteriosa,
apaixonada, representada com alguma timidez, e que não faz jus ao talento que
já provou ter. Harry Treadaway tem um background interessante e uma personagem
que já provou ser uma das chaves para o sucesso da complexa rede de histórias. Mas, note-se que ainda é um actor novo, e temo que a personagem possua uma elevada
complexidade para o actor. Reeve Carney é uma nódoa no cast, não fortalece
minimamente a personagem e aniquila o interesse do público. Isto ainda se torna mais frustante depois de Stuart Townsend ter sido um Dorian Gray extraordinário. Billie Piper
seria a actriz com melhor interpretação, se estivéssemos a falar de teatro, e é
tudo o que há para dizer. E como o melhor fica sempre para o fim, termino com
aquela que tem sido, e será, a alma de Penny Dreadful, Eva Green. Este nome
sonante provoca um misto de sensações, ela é conhecida pelos projectos
contorversos e pelos blockbusters, a realidade é que Green é uma das melhores
actrizes da actualidade, conseguindo sempre uma harmonia misteriosa nas suas interpretações,
Penny Dreadful não é uma excepção é apenas parte de uma regra. A actriz é
responsável pelos melhores momentos desta série, e sem dúvida a melhor
aquisição no cast.
Para terminar, não vou adiantar o ritmo da narrativa, apenas vou alertar
que o maior alimento para o nosso medo é aquilo que não sabemos que somos.
quinta-feira, junho 5
Aritmética Vindicta - Parte B
- Drº Salvador, tem duas cirurgias marcadas para
hoje. – Salvador estava sentado à secretária, concentrado no seu próximo
doente, espreitou por cima da armação dos óculos e sorriu respondendo: - Eu sei
Celeste. Obrigada. – A rapariga sorriu como se estivesse à espera de alguma
recompensa e caminhou sensualmente pelo corredor, nunca perdendo o médico de
vista. Salvador tinha o hábito de almoçar no restaurante fora do hospital,
sentou-se no balcão e começou a jogar no tablet.
– O melhor par para o três é o da segunda fila porque liberta as duas peças que
têm par. – Salvador olhou para o quadro do jogo e não moveu a tão sugestiva
peça, em vez disso olhou para o lado com uma expressão indignada: - Obrigada
pela sugestão. – O sorriso irónico era transparente e óbvio. – De nada. –
Respondeu a rapariga satisfeita e sorridente. Continuou a olhar para as
hipóteses de jogo e de facto aquela era a única saída para ganhar. Apercebeu-se
que tinha demorado precisamente sete minutos e cinquenta e três a chegar à
mesma conclusão que aquela rapariga e, ela tinha-o feito em segundos. Indignado
fitou-a e perguntou: - Costuma jogar a isto? – A rapariga sorriu e respondeu
perentoriamente: - Não! A primeira vez que vi esse jogo foi agora. – Salvador
não quis acreditar na rapariga e respondeu com desdém: - Isso não possível! –
Voltou a concentra-se no jogo e ouvi-a novamente falar. – Também não o conheço
mas percebo perfeitamente que é médico. – Agora ela tinha conseguido captar a
atenção dele. – Sim, sou. – Ela sorriu. – A arrogância, o toque suave no
tablet, e a ausência de tremor diz-me cirurgião. Para além disso tem as unhas
cortadas, evita sentar-se perto de pessoas mais velhas, com receio de ser
reconhecido, e para além disso não usa aliança, apesar de ser casado. Como é
que eu sei que é casado? Porque tem o nó da gravata perfeito, o vinco das
calças impecável e a barba aparada. Nenhum homem faz a barba com regularidade
se não for casado. – Salvador ficou verdadeiramente impressionado, e
extremamente assustado com aquilo que tinha ouvido. A rapariga bisbilhoteira
tinha-se tornado na mulher mistério. – Com tanta informação só falta adivinhar
o meu nome. – Eu não preciso de saber o seu nome, só preciso de saber quem o
senhor é. – Ela recebeu o batido que aguardava, piscou o olho e levantou-se. –
Sou o Salvador, muito prazer. – Petra, desculpe não poder dizer o mesmo. –
Agora sim o jogo estava a ficar interessante para Salvador.
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